domingo, 7 de novembro de 2010

Forasteiro


Caminhando pelas ruas do centro de São Paulo é fácil imaginar o que se pode encontrar. Mas se um forasteiro de qualquer pequena ou grande cidade se aventurar pelas estreitas ruas da região poderá se sentir, de início, como um verdadeiro estranho.
Tudo porque objetos artesanais, blusas com declarações de amor à cidade, enfeites de material reciclado, guloseimas orientais, água de côco, fantoches imitando personalidades e artistas de rua mostrando seu talento a uma platéia itinerante, são apenas algumas amostras do que essa pessoa poderá encontrar pelas ruas que permeiam o centro de São Paulo.
Se continuar andando, o peregrino, com olhar curioso, poderá ver que lugar de criança não é apenas em casa, mas nas esquinas e bancos de praça, maltrapilhos, sujos e mal encarados. Ou quem sabe em calçadas, sendo despertadas diariamente pelo forte sol do verão paulista ou pelas torrenciais chuvas desta época do ano.
Seus olhos também poderão ver pessoas de todas as classes, dividindo o mesmo espaço e carregando sacolas de compras. Não há como saber quem é rico, pobre, quem exerce altas funções ou é apenas um simples assalariado.
Neste conflito sócio-econômico da capital ele também não terá dificuldade de encontrar gente vasculhando lixo ao lado de luxuosos carros e prédios de alto padrão.   
Este forasteiro poderá se sentir chocado com tanta discrepância em um único lugar: arranha-céus, símbolos do poderio econômico do centro velho paulista versus barracas, camelôs e produtos piratas espalhados pelas ruas, em um crescente comércio informal.
Ele andará lado a lado com meninas trocando carícias, rapazes marcando encontro com seus namorados, mulheres com suas esposas e filhos à volta, e travestis fitando sem cerimônia homens acompanhados.
E na contramão dos carros e entra e sai dos metrôs, certamente vai se deparar com emos, hippies, roqueiros, punks, góticos e até gente “simples” caminhando, comprando ou apenas passeando, quando simplicidade por aqui já é algo quase em desuso.
Talvez este “estrangeiro” se impressione; quem sabe se sinta surpreso, mas pode sentir-se também como fazendo parte de um grande acampamento, onde todas as tribos se combinam e onde tudo é possível de ser encontrado.
Para um forasteiro perdido, o centro de São Paulo é assim: a cada minuto pode se descobrir uma novidade, mesmo que o novo para ele já esteja ultrapassado para muitos.

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