domingo, 7 de novembro de 2010

Incontida

Ela esperava por ele toda manhã. Há tempos, o bonito moço calmo e atraente não passava mais. À noite, sempre lhe dizia como era boa sua companhia; seu cheiro; as suaves mãos que afagavam seu rosto e acariciavam seus cabelos.

Ela era ingênua, e tão doce quanto fiel. Sempre o aguardava e se machucava com a ausência dele. Seu homem. Sua vida. Sua morte. Mas quando ele surgiu sem esperar, assustou-se com sua aparência vil. Estava tão frio, feio, doente; agressivo. E já não mais reconhecendo-o, chorou. Tanto, que soluçava, gritava. Ele não era o mesmo, e tão logo se imaginou enlouquecida.

Mas agora ela aparece cabisbaixa, comovida, incontida. Os longos cabelos negros cobrem o rosto entristecido por completo. Anda como um zumbi, e ele continua ali, latejando em seus pensamentos. Até que um grito lhe chama, e ela acorda do pesadelo sombrio.  Os loiros cabelos reluzem com a luz do dia e já correm alegres e esperançosos, prontos para mais um afago sonhador.

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